Pesquisas sobre moléculas anticâncer mostram potencial contra malária
São Paulo -SP

Pesquisas sobre moléculas anticâncer mostram potencial contra malária

Colab SP Setembro 16, 2026 3 min read

Cientistas da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (FCF-USP) descobriram que moléculas anticâncer podem ser eficazes no combate ao Plasmodium falciparum, o parasita responsável pela malária. A pesquisa, que recebeu apoio da FAPESP, analisou como variações na estrutura dessas moléculas influenciam seus efeitos sobre os parasitas.

Malária e resistência a medicamentos

A malária é uma doença que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), causou cerca de 600 mil mortes em 2024. Dentre essas, estima-se que 90% sejam atribuídas ao Plasmodium falciparum. Apesar da existência de tratamentos, a resistência do parasita a medicamentos, como a cloroquina e a artemisinina, tem se tornado um desafio crescente, evidenciando a necessidade de novos fármacos.

Nesse cenário, a reavaliação de fármacos já utilizados em outras terapias surge como uma alternativa viável e econômica. A pesquisa testou 14 compostos derivados de um antineoplásico em culturas laboratoriais do P. falciparum, demonstrando que essas moléculas conseguiram eliminar os parasitas em diferentes fases do seu ciclo de vida.

Resultados promissores e preocupações

As moléculas mostraram eficácia na fase assexuada, que é quando o parasita se multiplica nas células sanguíneas, causando os sintomas da malária. Além disso, elas também atuaram na fase de gametócitos, interrompendo a transmissão da doença para mosquitos. Os resultados foram publicados na revista ACS Omega em julho.

Entretanto, existem preocupações em relação aos possíveis efeitos colaterais. Os testes realizados foram in vitro, o que limita a avaliação de reações adversas em humanos. Apesar de alguns compostos terem demonstrado menor impacto nas células humanas, a confirmação de segurança dependerá de testes adicionais. A professora Célia Regina da Silva Garcia destacou que as moléculas podem causar sintomas como fadiga e náuseas, além de alterações nos níveis de plaquetas.

Próximos passos da pesquisa

A equipe de pesquisa está também focada em entender como as variações estruturais das moléculas influenciam sua eficácia e quais alvos terapêuticos são mais relevantes. Garcia enfatiza que o desenvolvimento racional de novas moléculas pode resultar em tratamentos mais potentes e específicos para o parasita. Além disso, o grupo planeja testar os compostos em outras espécies de Plasmodium, como o P. vivax, que é prevalente no Brasil e pode causar recaídas após o tratamento.

O artigo completo, intitulado "Repurposing 6-Anilinopurine derivatives that exhibit PfHDAC1 inhibition and antimalarial activity against asexual and sexual stages of Plasmodium falciparum", está disponível em: pubs.acs.org/doi/10.1021/acsomega.5c12744.

Com informações de Sp

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