Bagaço de uva se torna biofertilizante para cultivo de flores comestíveis
São Paulo -SP

Bagaço de uva se torna biofertilizante para cultivo de flores comestíveis

Colab SP Setembro 19, 2026 3 min read

Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade Federal do Paraná (UFPR) desenvolveram um biofertilizante inovador à base de bagaço de uva, visando impulsionar o cultivo da calêndula pôr do sol (Calendula officinalis L.), uma planta com potencial no mercado de alimentos e cosméticos. A pesquisa, que faz parte do doutorado de Luiz Eduardo Nochi Castro, foi publicada em junho na revista ACS Omega.

O que é o bagaço de uva?

O bagaço de uva, subproduto gerado na produção de vinho, representa de 20% a 25% da massa total da uva processada, resultando em milhões de toneladas anualmente. Castro destaca que 'utilizamos o bagaço da uva porque ele é um dos principais resíduos da produção de vinho e possui uma composição rica em fibras, açúcares, compostos fenólicos e antioxidantes, o que lhe confere um grande potencial para gerar produtos de alto valor agregado'.

Testes e resultados

Transformado em digestato, o biofertilizante líquido foi aplicado nas plantações de calêndula ao longo de 2023, em diferentes estações do ano. Os pesquisadores testaram várias doses do adubo e condições de irrigação para observar os efeitos no crescimento e qualidade das flores. Após a colheita, as flores foram liofilizadas para preservar suas características, e análises foram realizadas para avaliar os impactos do biofertilizante.

Segundo Tânia Forster, professora da FEA-Unicamp e orientadora de Castro, 'analisamos o desenvolvimento das plantas como um todo, incluindo folhas e raízes, e realizamos análises físico-químicas para verificar a qualidade das flores produzidas'. Os resultados mostraram que doses moderadas de digestato geraram os melhores resultados, enquanto quantidades excessivas prejudicaram o desenvolvimento das plantas.

Os testes indicaram que o biofertilizante aumentou a concentração de betacaroteno nas flores cultivadas no verão, superando 250% em comparação ao cultivo convencional. No inverno, o destaque foi a retenção de pigmentos e minerais, demonstrando que o bagaço de uva enriquece o perfil nutricional da calêndula em diferentes condições climáticas.

Próximos passos da pesquisa

Embora os resultados sejam promissores, ainda são necessários estudos adicionais para avaliar a viabilidade técnica e econômica do uso do biofertilizante em larga escala. Castro menciona que a equipe está investigando a possibilidade de integrar esse processo nas vinícolas e em empresas que já utilizam digestão anaeróbia para tratamento de resíduos.

Além disso, novas linhas de pesquisa buscam a extração de compostos de interesse, como antioxidantes e pigmentos, que podem ser utilizados em produtos de maior valor agregado, como ingredientes para alimentos e cosméticos. 'A ideia é criar uma cadeia de produção sustentável, aproveitando o bagaço de uva para gerar energia e biofertilizante, além de desenvolver novos produtos', conclui Castro.

O artigo completo sobre a pesquisa pode ser acessado em: pubs.acs.org/acsodf/article/11/25/36990/5165327/

Com informações de Sp

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