São Paulo -SP
São Paulo inclui atrofia muscular espinhal no teste do pezinho pelo SUS
Medida beneficiará 475 mil bebês anualmente e visa diagnóstico precoce da doença.
A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) anunciou a inclusão da Atrofia Muscular Espinhal (AME) entre as doenças rastreadas pelo teste do pezinho, a partir desta segunda-feira. A nova diretriz afetará aproximadamente 475 mil recém-nascidos anualmente em todos os 645 municípios do estado. A detecção precoce da AME é crucial, pois permite iniciar o tratamento de forma mais ágil, reduzindo os impactos da evolução da doença.
Ampliação do teste do pezinho
Com essa inclusão, o teste do pezinho passará a rastrear oito doenças, realizado entre 48 horas e 5 dias após o nascimento. Além da AME, as condições já monitoradas incluem fenilcetonúria, hipotireoidismo congênito, doença falciforme, fibrose cística, hiperplasia adrenal congênita e deficiência de biotinidase. A análise para a AME será feita utilizando a mesma amostra de sangue coletada do calcanhar do bebê, evitando a necessidade de nova coleta.
Encaminhamento e custos
Caso haja suspeita de AME, os recém-nascidos serão direcionados a um Centro Especializado de Referência, onde realizarão um exame confirmatório com material coletado da bochecha. Atualmente, os exames para AME na rede particular podem custar cerca de R$ 1,5 mil. Para implementar essa nova triagem, o Governo de São Paulo destinará R$ 20,8 milhões anualmente ao Programa de Triagem Neonatal Paulista, abrangendo bebês nascidos em hospitais públicos e privados.
A pediatra Carmela Grindler, coordenadora do Programa Nacional de Triagem Neonatal, destaca que a inclusão da AME no teste do pezinho representa um avanço significativo na triagem neonatal, permitindo a identificação precoce de casos suspeitos nos primeiros dias de vida.
Dados sobre a AME em São Paulo
De acordo com o Cadastro Nacional da AME, que é mantido pelo Instituto Nacional da Atrofia Muscular Espinhal (Iname), o Brasil possui mais de 2.100 pessoas registradas com a doença, sendo 582 delas em São Paulo, o que representa o maior número do país. A AME causa perda progressiva da força muscular e pode ter diferentes graus de gravidade, tornando a detecção precoce essencial para um tratamento eficaz.
A AME é classificada em vários tipos, dependendo da idade de aparecimento dos sintomas e da evolução. O tipo 1, o mais grave, se manifesta antes dos 6 meses, podendo afetar a respiração e a deglutição. Já o tipo 2 aparece entre 6 e 18 meses, enquanto o tipo 3 surge após os 18 meses. Dados nacionais indicam que 32,15% dos pacientes têm a forma mais severa da doença.
Gabriel Guimarães, diretor do Iname, comentou que essa inclusão do rastreio atende a uma demanda importante de pacientes e famílias, enfatizando que a detecção precoce da AME é fundamental para iniciar o tratamento rapidamente e minimizar os efeitos da progressão da doença. Atualmente, sete estados brasileiros realizam a triagem neonatal para AME, incluindo São Paulo.
Com informações de Sp