Mundo
Cientista de Guimarães é premiada por projeto contra tumores cerebrais
Cláudia Martins recebe Medalha de Honra L’Oréal Portugal pela inovação em saúde.
Cláudia Martins, natural de Guimarães e pesquisadora no Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S), foi uma das quatro vencedoras das Medalhas de Honra L’Oréal Portugal para as Mulheres na Ciência 2025. A premiação reconhece jovens cientistas que se destacam por seus projetos inovadores nas áreas da saúde e do meio ambiente.
Financiamento para pesquisa
Com a conquista, Cláudia Martins receberá um financiamento de 15 mil euros para dar continuidade ao seu trabalho de investigação. Ela integra o grupo Nanomedicines & Translational Drug Delivery, liderado por Bruno Sarmento, e está desenvolvendo uma abordagem inovadora para o tratamento do glioblastoma, o tipo mais comum e agressivo de tumor cerebral maligno em adultos.
Desafios no tratamento
Após a remoção cirúrgica do tumor, células cancerígenas frequentemente permanecem no cérebro, o que leva ao reaparecimento da doença na maioria dos casos. Para enfrentar essa dificuldade, Martins está projetando um pequeno implante que poderá ser inserido na área afetada, funcionando como um reservatório inteligente de medicamentos.
O dispositivo é inovador por combinar três abordagens terapêuticas: a liberação localizada de um agente quimioterápico, um fármaco que atua contra a resistência ao tratamento e uma terapia genética que visa bloquear a produção de uma proteína relacionada ao crescimento e disseminação do tumor. Essa estratégia busca maximizar a eficácia do tratamento ao liberar cada componente no local e no momento mais apropriados.
Perspectivas futuras
Se comprovada a eficácia do implante, a tecnologia pode superar uma das principais limitações dos tratamentos atuais para tumores cerebrais: a dificuldade dos medicamentos em atravessar a barreira protetora do cérebro. Isso poderia abrir novas possibilidades no desenvolvimento de terapias inteligentes para outras doenças.
Cláudia Martins expressou que a distinção é "o reconhecimento de todos os anos de dedicação, persistência e trabalho investidos na ciência". A pesquisadora também ressaltou a importância do apoio dos estudantes, colaboradores e parceiros, tanto nacionais quanto internacionais, que têm contribuído para o avanço de seu projeto.