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BE critica autoritarismo do governo em mina de lítio em Trás-os-Montes

Coordenador do Bloco de Esquerda denuncia abusos no processo de exploração em Covas do Barroso.

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O coordenador do Bloco de Esquerda (BE), José Manuel Pureza, manifestou sua indignação em relação ao processo de exploração da mina de lítio em Covas do Barroso, Boticas, descrevendo-o como "verdadeiramente escandaloso". Em visita à aldeia, ele criticou o que considera "tiques de autoritarismo inaceitáveis" por parte do Governo, ressaltando que a prioridade deve ser sempre a população local.

Visita a Covas do Barroso

A visita de Pureza ocorreu na aldeia, onde a empresa Savannah Resources está em fase de implementação da segunda servidão administrativa, autorizada pelo Governo. O projeto da mina do Barroso, que recebeu a Declaração de Impacte Ambiental favorável em 2023, deve iniciar a construção em 2027. O coordenador do BE questionou as condições em que a população está sendo tratada e a falta de diálogo por parte das autoridades.

Críticas ao uso da força policial

José Manuel Pureza também destacou a presença da Guarda Nacional Republicana (GNR) no local, prestando serviços para monitorar a área da servidão administrativa. Ele afirmou que "quando as forças policiais são usadas, certamente contra a vontade dos próprios, contra as populações, está tudo dito sobre um Governo ou sobre um poder político que tem tiques de autoritarismo que são absolutamente inaceitáveis".

Preocupações da população

Durante sua visita à Casa do Povo, Pureza ouviu relatos de preocupações sobre o projeto mineiro e os impactos nas terras e recursos naturais da região. Nélson Gomes, representante da associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso (UDCB), expressou que a vigilância constante e a intimidação são novas realidades para os moradores. "Nós somos vigiados 24 horas por 24 horas", afirmou, ressaltando a sensação de perda de liberdade que a comunidade enfrenta.

Além disso, Gomes e outros moradores expressaram sua oposição ao projeto, denunciando a falta de respostas por parte de órgãos reguladores, como a Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) e a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), sobre questões relacionadas à desmatamento e à retirada de água dos ribeiros. "Isto, numa altura em que a água é escassa", completou, destacando a seca de alguns ribeiros na região.

A resistência da comunidade de Covas do Barroso tem se fortalecido, com um aumento no interesse por parte de pessoas que se mobilizam em defesa da causa. Pureza enfatizou que a luta da população é crucial, e que a presença de seguranças e da GNR é um reflexo do medo que a empresa e o Estado têm da resistência local.

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