Há artistas que encontram na música uma profissão. Outros fazem dela uma forma de preservar histórias. A trajetória de Marcelo Rossiter se aproxima desse segundo caminho: cantor, compositor e produtor cultural pernambucano, ele vem construindo uma carreira ligada ao forró e à cultura nordestina, ao mesmo tempo em que amplia sua atuação para a comunicação e a produção de conteúdo sobre o gênero.
Natural do Recife e radicado em Caruaru, Rossiter começou sua relação com a música ainda muito cedo, influenciado pelo ambiente familiar. Em entrevista concedida à Revista Ritmo Melodia, o artista contou que cresceu cercado por músicos e teve como referências nomes como Luiz Gonzaga, Elba Ramalho, Roberto Carlos, Nelson Gonçalves e Adilson Ramos.
A experiência no palco começou profissionalmente ainda na adolescência. Aos 16 anos, em 1994, Rossiter passou a cantar em bandas de samba e pagode no Recife, experiência que durou cerca de seis anos e contribuiu para desenvolver sua intimidade com o palco e com diferentes públicos. Mais tarde, chegou a se afastar profissionalmente da música para trabalhar nas áreas comercial, de turismo e hotelaria, período em que também concluiu formação em Marketing, em 2010. O retorno à carreira artística, porém, acabaria se tornando definitivo.
Do palco à preservação da memória musical
A escolha pelo forró ganhou força ao longo de sua trajetória. Luiz Gonzaga aparece como uma das principais referências de Rossiter, que passou a defender não apenas o gênero como expressão artística, mas também a importância de preservar suas características e sua ligação com a cultura nordestina.
Essa atuação também se estendeu à produção cultural. O Gonzagão Online, plataforma dedicada à memória e à obra de Luiz Gonzaga, apresenta Marcelo Rossiter entre seus parceiros e colaboradores, identificando-o como cantor, compositor e produtor cultural.
A presença do artista nesse universo não se limita aos palcos. Rossiter também atua na produção e apresentação de conteúdos ligados ao forró, incluindo o projeto Forró com Café, ampliando sua participação na divulgação de artistas, histórias e manifestações relacionadas ao gênero.
Parcerias que aproximam passado e presente
Um dos aspectos mais marcantes de sua trajetória recente é a escolha por trabalhar com nomes que ajudaram a construir a história da música nordestina.
Em 2025, Rossiter lançou uma nova versão de “A Feira de Caruaru”, em parceria com Onildo Almeida, compositor responsável pela obra que ganhou projeção nacional na voz de Luiz Gonzaga. O lançamento foi realizado como parte das celebrações pelos 168 anos de Caruaru.
A gravação tem um significado especial porque aproxima duas gerações da música nordestina. De um lado, um dos compositores fundamentais para a história cultural de Caruaru; de outro, um artista que vem buscando atualizar esse repertório sem romper com suas raízes.
A música também está disponível em plataformas digitais como single de Marcelo Rossiter e Onildo Almeida, lançado em maio de 2025.
“Caruaru do Passado” e uma homenagem histórica
Em 2026, Rossiter voltou a trabalhar com uma obra profundamente ligada à memória de Caruaru.
A nova versão de “Caruaru do Passado”, composição de José Pereira que ficou conhecida na voz de Azulão, reuniu Marcelo Rossiter, Azulão e Azulinho. O projeto chegou às plataformas em maio, dentro das comemorações pelos 169 anos de Caruaru e no ano em que a canção completa cinco décadas de sua gravação original.
A iniciativa ganhou repercussão também no Diario de Pernambuco, que destacou a releitura como uma oportunidade de reunir novamente Azulão à obra que se tornou um dos símbolos musicais da cidade. A gravação recebeu novos arranjos produzidos em Monteiro, na Paraíba.
Mais do que uma simples regravação, o projeto evidencia uma característica que vem definindo a fase atual de Rossiter: utilizar a música como instrumento de conexão entre diferentes gerações de artistas e de preservação da memória cultural nordestina.
Uma discografia em movimento

O trabalho de Rossiter também continua avançando nas plataformas digitais. Em 2026, aparecem entre seus lançamentos trabalhos como “Caruaru do Passado”, “Meu São João É Assim”, “Meu Cenário”, “Saudade” e “Xote da Saudade”, além de lançamentos anteriores como “Poucas Palavras” e “Espumas ao Vento”.
A presença de “Espumas ao Vento” também remete a um projeto anterior do cantor, que contou com a participação de importantes nomes do forró. Em seu primeiro CD e DVD, Rossiter reuniu artistas como Cristina Amaral, Geraldinho Lins, Santanna “O Cantador”, Cezzinha, Liv Moraes, Petrúcio Amorim, Terezinha do Acordeon e Raphael Moura.
Comunicação como extensão da carreira artística
Além da atuação como cantor e compositor, Rossiter vem ocupando espaço como comunicador ligado ao universo do forró. A experiência diante das câmeras e em entrevistas amplia sua atuação para além da produção musical, permitindo que o artista também participe da construção de narrativas sobre a própria cultura que defende.
Essa combinação entre música, comunicação e produção cultural ajuda a explicar a identidade que vem consolidando em sua carreira: não apenas a de um intérprete, mas a de alguém envolvido diretamente na circulação e na valorização da música nordestina.
Em um mercado musical cada vez mais marcado pela velocidade dos lançamentos, Marcelo Rossiter escolhe um caminho que olha para trás sem deixar de avançar. Ao revisitar clássicos, trabalhar ao lado de nomes históricos e lançar novas músicas, o cantor transforma o repertório nordestino em matéria-prima para novos encontros.
É justamente nessa relação entre memória, identidade e renovação que sua trajetória encontra um dos seus principais diferenciais. Para Rossiter, preservar o forró não significa mantê-lo parado no tempo, mas permitir que suas histórias continuem sendo cantadas por novas vozes e alcancem novos públicos.
Marcelo Rossiter segue, assim, construindo uma carreira que ultrapassa a dimensão do entretenimento e se aproxima de uma missão cultural: manter viva a tradição do forró enquanto cria novas páginas para essa história.











