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Polícia Marítima denuncia falta de recursos no combate ao narcotráfico

Associação critica insuficiência de efetivo e embarcações para ações eficazes.

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A Associação dos Inspetores e Chefes da Polícia Marítima manifestou, nesta terça-feira, sua preocupação com o que classifica como "sufoco institucional" enfrentado pela corporação, resultante da escassez de efetivo e embarcações, o que compromete a eficácia no combate ao narcotráfico.

Necessidade de colaboração

Em uma nota à imprensa, o presidente da associação, Manuel José Serrano Faustino, enfatizou a importância de uma "organização tática partilhada" com a Polícia Judiciária (PJ), que possui a especialização necessária para investigar esse tipo de crime. Segundo ele, sem essa colaboração, os esforços da Polícia Marítima são insuficientes, resultando em prisões no mar que não se sustentam em terra.

Desafios enfrentados

A associação também destacou a apreensão frequente de Embarcações de Alta Velocidade (EAV), conhecidas como "narcolanchas", que utilizam as águas portuguesas como ponto logístico. Desde janeiro de 2026, a Polícia Marítima apreendeu 17 dessas embarcações, além de grandes quantidades de drogas e combustíveis, resultando na detenção de 37 suspeitos, todos liberados posteriormente com medidas de coação brandas.

A associação argumenta que a raiz do problema está na contínua descapitalização da Polícia Marítima desde a criação da Autoridade Marítima Nacional em 2002. Eles criticam a abordagem militarista que tem prevalecido, onde a Marinha é vista como substituta da polícia, desconsiderando as distinções necessárias entre as funções.

Além disso, a associação lamenta a falta de um orçamento próprio e a escassez de efetivo, mencionando que o recrutamento entre 2009 e 2015 foi inexistente. As poucas contratações realizadas nos anos recentes não foram suficientes para atender as demandas.

Propostas para melhoria

Para solucionar esses problemas, a Associação dos Inspetores e Chefes da Polícia Marítima propõe a criação de um orçamento próprio, o aumento do número de efetivos e a implementação de uma cooperação integrada com outros órgãos de segurança, como a GNR e a Força Aérea. Essa colaboração deve incluir ações coordenadas para o combate ao narcotráfico, supervisionadas pela Polícia Judiciária.

O presidente da associação conclui ressaltando que a segurança das fronteiras marítimas e a soberania nacional não podem ser comprometidas por limitações orçamentárias ou conflitos institucionais.

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