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Tribunal da Relação do Porto determina novo julgamento no caso de doping da W52-FC Porto

Decisão foi tomada após contestação sobre a validade de depoimentos em audiência de julgamento.

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O Tribunal da Relação do Porto decidiu que o julgamento do processo de doping envolvendo a extinta equipe W52-FC Porto deve ser repetido. A medida foi tomada após a análise de um recurso que questionou a legalidade das declarações feitas por Nuno Ribeiro, ex-diretor desportivo da equipe, as quais foram apresentadas por meio de um documento lido em audiência.

Decisão do tribunal

O acórdão, que foi disponibilizado à agência Lusa na quinta-feira, resulta de um recurso apresentado por Adriano Quintanilha, proprietário da equipe, e pela Associação Calvário Várzea Clube de Ciclismo. Eles argumentaram que o depoimento de Nuno Ribeiro, lido em tribunal, deveria ser considerado um meio de prova inválido.

O Tribunal da Relação do Porto destacou que as declarações lidas por Ribeiro eram inadmissíveis e que o tribunal de primeira instância não apenas aceitou suas palavras, mas também as utilizou para fundamentar outras provas e determinar a responsabilidade criminal dos acusados.

Contexto do julgamento

Em 12 de dezembro de 2025, o Tribunal de Penafiel havia condenado tanto Adriano Quintanilha quanto Nuno Ribeiro a penas efetivas de quatro anos e nove meses no âmbito do processo conhecido como Prova Limpa, que envolvia 26 réus, incluindo ex-ciclistas da equipe.

O tribunal considerou que Quintanilha foi um dos principais responsáveis pela implementação de um esquema de doping dentro da W52-FC Porto, sendo o responsável final pelos pagamentos relacionados a substâncias proibidas.

A juíza desembargadora determinou que a audiência de julgamento seja reaberta, permitindo que Nuno Ribeiro preste suas declarações de maneira legal, sem a leitura prévia do documento. O tribunal também foi instruído a reformular o acórdão nos pontos que foram considerados irregulares.

Implicações das declarações

As declarações de Nuno Ribeiro, lidas na sessão de julgamento de 18 de novembro de 2024, revelaram que o doping era uma prática comum na equipe e que era incentivado por Adriano Quintanilha. Ribeiro alegou estar sob pressão e ameaças de outros envolvidos, e embora tenha admitido conhecimento sobre as práticas, negou ser o principal responsável pelo esquema.

Além deles, outros ex-ciclistas da W52-FC Porto foram condenados a penas suspensas inferiores a dois anos e meio por tráfico de substâncias proibidas. O caso continua a repercutir no cenário esportivo, levantando questões sobre a integridade das competições de ciclismo.

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