Professor, coreógrafo, pesquisador e escritor, Marinho Braz construiu uma carreira de décadas dedicada à dança e à preservação da cultura do forró, levando sua metodologia a diferentes regiões do Brasil e ao exterior
O forró, um dos símbolos mais fortes da cultura brasileira, ganhou ao longo das últimas décadas novos espaços, públicos e formas de ser dançado. Nesse movimento de expansão, o nome de Marinho Braz se consolidou como uma das referências ligadas ao ensino e à difusão da dança de forró.
Professor, coreógrafo, dançarino, produtor cultural e escritor, Braz desenvolve seu trabalho desde a década de 1990 e mantém uma trajetória especialmente ligada ao Rio de Janeiro e à Feira de São Cristóvão, tradicional espaço de preservação e celebração da cultura nordestina na cidade.
Da sala de aula à internacionalização do forró
Nascido em Volta Redonda e criado em São João de Meriti, no estado do Rio de Janeiro, Marinho Braz começou a ministrar aulas de forró em 1995. Sua trajetória passou pelo ensino, pela pesquisa e pela criação de métodos próprios de aprendizagem da dança.
Ao longo dos anos, o professor passou a trabalhar também com a formação de novos profissionais, defendendo uma abordagem que vai além da execução dos passos e procura relacionar dança, cultura e história.
Sua atuação também ultrapassou as fronteiras brasileiras. Materiais biográficos ligados à sua carreira registram sua participação na expansão do forró na Europa, levando aulas, apresentações e conhecimento sobre a dança brasileira a diferentes países.
Uma relação estreita com a Feira de São Cristóvão
Um dos capítulos mais importantes de sua carreira está relacionado ao Centro Municipal Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, conhecido como Feira de São Cristóvão.
O espaço, criado a partir da presença de migrantes nordestinos no Rio de Janeiro, tornou-se um dos principais pontos de encontro da cultura nordestina fora do Nordeste. É nesse ambiente que Marinho Braz desenvolveu parte expressiva de seu trabalho de formação de dançarinos.
Em 2024, durante as comemorações dos 79 anos da Feira, Braz participou da programação com a Academia Brasileira de Forró, ensinando o público a dançar.
Mais recentemente, a programação especial do Dia Nacional do Forró também registrou a apresentação de alunos da Academia Brasileira de Forró, comandada pelo professor.
O “Embaixador do Forró”

O título pelo qual Marinho Braz passou a ser conhecido “Embaixador do Forró” está diretamente associado à sua trajetória de pesquisa, ensino e divulgação do gênero.
Sua obra Dança de Forró Saúde e Cura, publicada em 2022, apresenta a dança também sob a perspectiva de seus possíveis benefícios físicos e sociais. Na apresentação do livro, Braz é descrito como profissional de danças de salão e especialista dedicado à pesquisa das matrizes e origens da dança de forró.
A publicação relata ainda sua passagem por comunidades indígenas e quilombolas durante pesquisas realizadas no Nordeste e sua dedicação ao ensino do forró desde 1995.
Pesquisa e valorização das raízes
Para Marinho Braz, ensinar forró não significa apenas ensinar passos.
Sua trajetória é marcada por pesquisas relacionadas às origens, influências e transformações da dança. Esse trabalho aparece de maneira mais ampla em seu livro “Forrobodó For All Desvendando o Forró”, lançado em 2024 em programação da Cidade das Artes, no Rio de Janeiro.
A Prefeitura do Rio classificou Braz como um dos estudiosos e especialistas do gênero e destacou que a obra aborda a cultura do forró e seus aspectos relacionados às influências indígenas, africanas e europeias.
O lançamento também colocou o pesquisador em diálogo com o público em uma programação que reuniu literatura, música e dança, reforçando a ideia de que o forró pode ser compreendido não apenas como entretenimento, mas como manifestação cultural.
A criação do Forró Cassino
Entre as contribuições atribuídas a Marinho Braz está o desenvolvimento do Forró Cassino, uma dinâmica de dança realizada em roda e conduzida por comandos, inspirada na lógica da Rueda de Casino.
Registros especializados sobre dança descrevem o Forró Cassino como uma variação desenvolvida por Braz dentro do universo do forró universitário.
A proposta acrescenta um caráter coletivo à dança, permitindo que grupos inteiros participem simultaneamente e transformando a aula em uma experiência de interação entre os participantes.
Forró como cultura e formação
A atuação de Marinho também passou pela produção de eventos e projetos culturais.
Em 2016, o Forró In Rio Festival foi realizado com apoio da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro. A iniciativa reuniu aulas, apresentações e atividades voltadas à dança e à cultura do forró.
Anos depois, a Cidade das Artes recebeu programação dedicada ao lançamento de seu livro e à celebração do gênero, com participação do Trio Nordestino.
Esse percurso mostra uma característica central do trabalho de Braz: aproximar ensino, pesquisa, entretenimento e preservação cultural.
Academia Brasileira de Forró
Atualmente, Marinho Braz também está à frente da Academia Brasileira de Forró, projeto dedicado ao ensino da dança e da música.
A academia oferece aulas de forró, xote e baião, trabalhando com diferentes níveis de aprendizagem. O projeto mantém sua atuação na Feira de São Cristóvão, no Rio de Janeiro.
O perfil profissional de Braz nas redes sociais também apresenta o professor como fundador e responsável pela academia, mantendo o foco na formação de novos dançarinos e na divulgação do forró.
Uma carreira que ultrapassa a dança
Ao longo de sua trajetória, Marinho Braz passou a ocupar diferentes funções dentro do universo cultural: professor, coreógrafo, dançarino, produtor, agente cultural, pesquisador e escritor.
Seu trabalho também alcançou veículos de comunicação e programas de televisão. A Academia Brasileira de Forró cita participações de Braz em atrações como Programa do Jô, Planeta Xuxa e Domingão do Faustão.
Mais do que acumular apresentações, a trajetória de Marinho Braz representa uma tentativa de transformar o conhecimento sobre o forró em ferramenta de formação e continuidade cultural.
Um legado construído no compasso
Em quase três décadas de atuação, Marinho Braz construiu sua carreira em torno de uma ideia simples, mas abrangente: o forró pode ser aprendido, dançado, pesquisado e, principalmente, preservado.
Das salas de aula do Rio de Janeiro aos projetos internacionais, passando pela Feira de São Cristóvão, festivais, livros e formação de novos professores, sua história acompanha a própria transformação do forró em um fenômeno que ultrapassou as fronteiras do Nordeste e conquistou pistas de dança em diferentes partes do mundo.
Hoje, ao se apresentar como “Embaixador do Forró”, Braz sintetiza em um título uma trajetória marcada pela dança, pela pesquisa e pela defesa da cultura brasileira.
Marinho Braz não trabalha apenas para ensinar pessoas a dançar forró. Seu trabalho busca manter viva a história por trás de cada passo.










