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Henrique Zamith vive Caetano Veloso em musical sobre Gilberto Gil e revela desafio de interpretar um dos maiores nomes da música brasileira
Em cartaz, “Gil – Andar com Fé”, dirigido por Miguel Falabella, revisita a trajetória de Gilberto Gil e a relação de amizade e parceria artística com Caetano Veloso

Dar vida a Caetano Veloso, uma das figuras mais reconhecíveis da música brasileira, sem transformar sua interpretação em uma imitação foi um dos principais desafios de Henrique Zamith em “Gil – Andar com Fé”. O musical sobre a vida e a obra de Gilberto Gil, dirigido por Miguel Falabella, já estreou e leva aos palcos uma história que atravessa momentos como a Tropicália e o exílio, além de retratar a relação de amizade, parceria artística e cumplicidade entre dois nomes fundamentais da cultura brasileira.
Para construir o personagem, Henrique Zamith buscou compreender como Caetano pensa antes mesmo de estudar seus movimentos ou reproduzir características tão conhecidas do cantor. A leitura de Verdade Tropical se tornou uma das principais referências da preparação, seguida por uma imersão em entrevistas, shows, depoimentos e performances.
“Meu primeiro trabalho foi entender como Caetano pensa, como a sua sinapse funciona em relação ao que acontece e ao que aconteceu com ele. Queria compreender seus posicionamentos, suas paixões, seus medos, suas inseguranças e também suas esperanças”, conta Henrique.
Durante o processo de preparação, o ator chegou a experimentar o que define como um “exagero caetanesco” para, aos poucos, retirar excessos e encontrar sua própria interpretação. Com o auxílio da preparadora de elenco Erica Montanheiro e a direção de Miguel Falabella, Henrique Zamith buscou preservar características reconhecíveis de Caetano sem transformar o personagem em uma caricatura.
“O objetivo, tanto meu quanto do diretor Miguel Falabella, foi construir uma homenagem ao Caetano, e não uma mímese física e sonora ambulante em cima de um palco. O que se pode ver em cena sou eu, Henrique, homenageando Caetano Veloso e tentando traduzir, através do meu corpo, da minha voz e da minha interpretação, a importância que ele tem dentro dessa história”, explica.
A relação entre Caetano e Gil também ocupa um espaço importante na montagem. Henrique divide a cena com Gui Ventura, intérprete de Gilberto Gil, e conta que estudar a história dos dois revelou uma amizade marcada por uma demonstração de afeto que, especialmente naquele período, rompia convenções.
“Acho que uma das coisas mais preciosas que Caetano e Gil têm é o amor que sentem um pelo outro e essa irmandade inquebrável. A liberdade de poder amar um homem e escancarar esse amor naquela época é algo ridiculamente transgressor. Digo ‘ridiculamente’ porque não deveria ser transgressor um homem dizer que ama outro homem”, afirma.
A sintonia que Henrique Zamith pesquisou na história dos dois artistas também se refletiu na parceria construída com Gui Ventura durante os ensaios, conexão que agora ganha vida diante do público.
“Quando entramos em cena e nos olhamos, alguma coisa extremamente sensível e poderosa começou a acontecer entre nós. De alguma forma, sentimos a energia, o amor e a parceria que Caetano e Gil tinham. Foi uma conexão que não precisou ser racionalizada. Simplesmente aconteceu.”
O desafio de interpretar Caetano se soma a uma trajetória iniciada ainda na infância. Henrique Zamith começou a estudar teatro aos 9 anos, seguiu para a formação em Artes Cênicas e ampliou sua atuação para o cinema, a música e a dublagem. No audiovisual, participou de diferentes curtas e integrou o longa “Silvio Santos Vem Aí”, no papel de Dimitrius. Experiências que, segundo ele, ajudaram a desenvolver uma atuação mais atenta aos silêncios e às sutilezas.
Com o musical já apresentado ao público, Henrique leva ao palco sua interpretação de uma personalidade reconhecida por diferentes gerações. Para o ator, o caminho para dar vida a Caetano Veloso está justamente na própria experiência emocional, sem abrir mão da autenticidade que considera essencial ao trabalho.
“Tudo o que eu sinto em cena precisa ser verdadeiro para mim. O que me decepciona, o que me frustra, o que me move e o que me atravessa durante a peça não é Caetano sentindo. Sou eu, Henrique Zamith, sentindo aquelas relações em cima do palco. É a partir das minhas próprias emoções que Caetano ganha vida dentro daquela história”, completa.







