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Quatro em cada dez interrupções da gravidez são realizadas por mulheres estrangeiras

Relatório da DGS destaca crescimento das interrupções feitas por não portuguesas em 2025.

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Em 2025, mais de 40% das interrupções da gravidez realizadas em Portugal foram feitas por mulheres de nacionalidade estrangeira, conforme dados divulgados hoje pela Direção-Geral da Saúde (DGS). O levantamento aponta a necessidade de respostas adequadas às diversas realidades culturais e sociais dessas mulheres.

Dados gerais sobre interrupções da gravidez

O relatório sobre o registro das interrupções da gravidez revelou que, ao todo, foram realizadas 18.869 interrupções, número semelhante ao do ano anterior, que foi de 18.871. Das intervenções, 18.239 ocorreram nas primeiras dez semanas de gestação, enquanto 495 foram motivadas por condições de saúde graves ou malformações congênitas.

Aumento da participação das mulheres estrangeiras

Dos dados apresentados, 44,2% das interrupções realizadas optadas pelas mulheres foram feitas por estrangeiras. O número de casos envolvendo essas mulheres saltou de 3.567 em 2021 para 8.059 em 2025. As nacionalidades mais representativas entre essas mulheres foram a angolana, com 20,9%, a brasileira, com 19,7%, e a cabo-verdiana, com 14,6%.

A DGS enfatiza a importância de desenvolver iniciativas que garantam acesso a informações e cuidados de saúde sexual e reprodutiva, adaptadas às necessidades culturais e linguísticas dessas mulheres, visando a redução de barreiras no acesso a esses serviços.

Mudanças nas unidades de saúde

O relatório também informa que, em 2025, 32 estabelecimentos de saúde registraram interrupções da gravidez por opção da mulher, um a menos do que no ano anterior. A Unidade Local de Saúde da Cova da Beira não registrou casos, enquanto o Hospital de Ponta Delgada, nos Açores, reestabeleceu a prática.

A maioria das interrupções ocorreu em unidades de saúde públicas (66%), embora o setor privado tenha visto um aumento significativo, com a Clínica dos Arcos, em Lisboa, realizando 6.204 interrupções, representando mais de um terço do total.

As regiões de Alentejo e Açores foram as que mais enviaram mulheres para outras áreas para realizar o procedimento. A DGS ressalta a necessidade de fortalecer uma rede de referência que promova uma articulação eficaz entre diferentes níveis de atendimento, garantindo acesso equitativo.

Os métodos utilizados para as interrupções também apresentam diferenças entre os setores: no público, 97,7% das intervenções foram medicamentosas, enquanto no privado, 62,9% foram cirúrgicas. A média de espera para a realização do procedimento foi de seis dias, com uma espera média de 2,8 dias para a consulta prévia.

A média de idade das mulheres que realizaram a interrupção permanece em 28,5 anos, e a idade gestacional média é de sete semanas. A DGS destaca que o acesso a métodos contraceptivos, incluindo a contracepção de emergência, é gratuito nas consultas de planejamento familiar e serviços hospitalares do Sistema Nacional de Saúde.