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Descoberta de fóssil de ninfa com 298 milhões de anos surpreende cientistas

Investigadores da Universidade do Porto identificam nova espécie em mina no Vale de Cambra.

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Investigadores descobrem fóssil de ninfa com 298 milhões de anos

Pesquisadores da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) anunciaram a descoberta de um fóssil de uma nova ninfa de inseto, semelhante a uma libélula, com aproximadamente 298 milhões de anos. O achado ocorreu na mina da Paraduça, localizada em Pejão, no município de Vale de Cambra, durante uma exploração de carvão a céu aberto.

A descoberta

O fóssil foi encontrado por Sara Silva, doutorada em Geociências, que destacou a importância da descoberta em um comunicado à imprensa. A nova ninfa, que faz parte do carbonífero superior, é considerada enigmática e rara, uma vez que ninfas de insetos desse período são pouco frequentes. Helena Couto, professora jubilada da FCUP e investigadora no Instituto de Ciências da Terra, colaborou na identificação da espécie.

Couto explicou que a dificuldade em classificar essas ninfas se deve ao fato de que a maioria dos grupos de insetos é identificada com base em fósseis de adultos, tornando a atribuição a grupos específicos um desafio. A nova ninfa possui um abdômen volumoso e grandes pernas posteriores, que sugerem um modo de vida aquático.

Publicação e colaboração

A pesquisa foi publicada no dia 15 de setembro na revista internacional Neues Jahbuch für Geologie und Paläontologie. Além de Sara Silva e Helena Couto, o estudo conta com a contribuição de André Nel, entomólogo do Museu Nacional de História Natural da França, e Torsten Wappler, paleontólogo e entomólogo da Universidade de Bonn.

O carbonífero superior, que ocorreu entre 323 e 298 milhões de anos atrás, é conhecido por seus importantes registros fósseis na Bacia Carbonífera do Douro, em Portugal. Os pesquisadores agora esperam encontrar um espécime mais bem preservado, o que pode permitir a observação de estruturas da cabeça e os primeiros estágios de desenvolvimento das asas, contribuindo para uma identificação mais precisa deste fóssil.

Características do fóssil

O espécime encontrado possui cerca de 10 milímetros de comprimento e inclui fragmentos de pernas, com oito segmentos visíveis e cercos curtos. A equipe sugere que as características físicas, como cercos curtos e pernas posteriores robustas, estão mais alinhadas com ninfas da ordem extinta 'paoliida'. Além disso, a posição das pernas em relação ao corpo apresenta semelhanças com insetos da ordem 'plecoptera', conhecidos desde o pensilvaniano.