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Médico da Trofa é processado por universidade após atuar na pandemia na Amazônia
Luís Gonçalves, docente da USP, enfrentou ação judicial por ter se afastado para ajudar no combate à covid-19.
Luís Moreira Gonçalves, psiquiatra e professor na Universidade de São Paulo, está enfrentando um processo judicial após ter se afastado de suas funções para ajudar no combate à pandemia de covid-19 em Rondônia, Brasil, em 2021. A universidade alega que ele faltou ao trabalho durante esse período.
A decisão de ajudar
O médico, que nasceu na Trofa e tem 41 anos, atendeu ao chamado do estado brasileiro em um momento crítico da pandemia. Com o surgimento de uma nova variante do vírus e a grave crise de oxigênio em Manaus, a capital da Amazônia, a Secretaria de Saúde de Rondônia solicitou a ajuda de médicos para enfrentar a situação. Gonçalves aceitou o convite e, em janeiro de 2021, começou a trabalhar no Hospital de Campanha da Zona Leste em Porto Velho.
Durante seu tempo na Amazônia, ele viveu experiências marcantes que o inspiraram a escrever o livro "Dormindo entre Cadáveres", que foi premiado recentemente. O médico relata não apenas os desafios enfrentados, mas também a perda do último representante masculino da tribo Juma e as dificuldades na obtenção de recursos para o tratamento dos pacientes.
Conflito com a universidade
Após algumas semanas de trabalho em Rondônia, a USP exigiu o retorno imediato de Gonçalves às aulas. Ele tentou solicitar uma licença sem vencimento, mas a universidade negou, alegando que ele ainda estava no período probatório de seu contrato. Com isso, o médico decidiu pedir a exoneração do cargo, ciente de que essa ação teria repercussões legais.
A universidade alega que o trabalho de Gonçalves na Amazônia não se configurava como consultas médicas, mas sim como consultoria científica, o que permitiria a acumulação de funções. O processo judicial, que se arrasta há cinco anos, envolve uma multa de aproximadamente 5 mil euros, mas ainda não há uma decisão final sobre o caso.
Esforços e futuro
Gonçalves também busca a equivalência do seu grau de psiquiatria em Portugal, com o objetivo de retornar ao seu país para trabalhar na área. Ele expressou satisfação ao ver que seu livro tem sido utilizado como fonte de pesquisa em estudos acadêmicos, ressaltando a importância de relembrar os eventos da pandemia e aprender com eles.

