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Viana do Castelo pode ganhar nova fábrica de munições com 100 vagas de emprego
Acordo entre Portugal e Bélgica prevê investimento de 50 milhões de euros e operação em 2029.

Um novo acordo entre Portugal e Bélgica foi assinado para a construção de uma fábrica de munições em território nacional, com previsão de criação de cerca de 100 postos de trabalho. O memorando foi firmado na antiga Fábrica da Pólvora Sem Fumo de Chelas, em Lisboa, e o ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, destacou que o investimento pode alcançar os 50 milhões de euros, parte de um pacote de empréstimos europeus conhecido como SAFE.
Localização e operação
A nova instalação, que irá focar na produção de munições de pequeno calibre, deverá começar a operar em 2029. Nuno Melo indicou que as opções de localização incluem Viana do Castelo, onde a parceira belga FN Herstal já possui uma unidade de produção de armas, e Alcochete como uma alternativa viável.
Modelo societário e críticas
Sobre a estrutura da nova fábrica, o ministro propôs um modelo semelhante ao da OGMA – Indústria Aeronáutica de Portugal, onde o Estado detém 35% e a Embraer, empresa brasileira, 65%. Nuno Melo argumentou que a recuperação da OGMA, que enfrentou sérios desafios antes de se tornar lucrativa, demonstra que esse modelo pode funcionar bem.
Em resposta a críticas da oposição relacionadas ao mecanismo SAFE, o ministro enfatizou que a escolha foi baseada em critérios técnicos que atendem a necessidades urgentes da Europa. "Estamos entregando ao mercado o que é absolutamente necessário para a União Europeia, que está carente em várias áreas, especialmente em tempos de conflito", afirmou.
Investimento em defesa
O governo português busca fortalecer a posição do país no contexto da NATO, priorizando a produção nacional. Nuno Melo expressou o desejo de que Portugal participe ativamente na produção de defesa, afirmando: "Queremos produzir primeiro em Portugal, depois na Europa e, em seguida, pensar no resto do mundo livre."
O evento de assinatura ocorreu em um cenário histórico, com um gerador Krupp-Bosch de 1922 ao fundo, na antiga fábrica que foi desativada nos anos 90. O ministro lamentou a perda de capacidades de produção no setor de Defesa em Portugal e afirmou que o SAFE é uma oportunidade para recuperar essas competências, criando empregos altamente especializados e impulsionando empresas privadas do país.
O SAFE, que envolve empréstimos da União Europeia a condições favoráveis, representa um dos maiores investimentos em Defesa da história de Portugal, totalizando 5,8 bilhões de euros. Além da nova fábrica de munições, o pacote inclui a compra de fragatas e veículos táticos, bem como a produção de satélites no Alverca Space Hub, que deve iniciar suas atividades em breve.






