Indústria de calçado em Portugal investe 100 milhões para novo ciclo de crescimento
A indústria de calçado de Portugal finaliza este ano um histórico ciclo de investimento, aplicando 100 milhões de euros em áreas como sustentabilidade, digitalização e inteligência artificial, o que reforça a confiança do setor em seu futuro.
Investimentos e Projetos
Mobilizados pelos projetos BioShoes4All e FAIST – Fábrica Ágil, Inteligente, Sustentável e Tecnológica, os investimentos focam em novos materiais, automação e tecnologias avançadas. A Associação Portuguesa dos Industriais do Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seus Sucedâneos (APICCAPS) destaca esses esforços como fundamentais para preparar o setor para uma nova realidade competitiva global.
Os resultados dessas iniciativas estão em exposição de hoje até quinta-feira em Milão, na Itália, nas feiras internacionais Lineapelle e Simac. Essas plataformas são reconhecidas mundialmente como pontos de encontro para indústrias de calçado, componentes e tecnologias.
Confiança no Futuro
Luís Onofre, presidente da APICCAPS, considera que o investimento do BioShoes4All e do FAIST é uma clara demonstração de confiança na indústria portuguesa do calçado. Ele ressalta que, mesmo em um cenário desafiador para a indústria europeia, as empresas portuguesas agiram, investindo e desenvolvendo novas soluções para competir em um contexto global.
O projeto BioShoes4All, descrito como uma das maiores iniciativas de transformação do setor, uniu 69 entidades em quatro anos para acelerar a transição para a bioeconomia, promovendo o desenvolvimento de biomateriais e soluções sustentáveis.
Resultados e Inovações
Dentre os resultados, destacam-se 46 novos produtos de calçado e marroquinaria, a maioria com menor pegada ecológica e carbono. Novos biomateriais foram criados utilizando recursos como cascas de pinheiro e borras de café, além de uma redução de 20% no consumo de água em certos processos.
O FAIST, com um investimento de cerca de 50 milhões de euros, busca acelerar a transformação tecnológica do setor. Com a participação de mais de 40 empresas, o projeto visa desenvolver soluções inovadoras para toda a cadeia de valor, incluindo a introdução de inteligência artificial nas fábricas.
Onofre enfatiza que a automação e a robotização não visam substituir o conhecimento da indústria, mas sim potencializá-lo. Essa combinação entre talento humano e novas tecnologias pode oferecer a Portugal uma vantagem competitiva que é difícil de replicar por modelos industriais que se baseiam apenas em preço.

